4 tendências do varejo para 2022

Consumidor, valor agregado e canais digitais estarão no centro do setor para o próximo ano.

 

O varejo é um dos segmentos mais importantes para a economia do Brasil. A mais longa e profunda recessão que se abateu sobre o país com a pandemia do coronavírus atingiu em cheio o setor e mudou a forma do brasileiro consumir. As vendas por canais digitais cresceram nos últimos dois anos e foram impulsionadas fortemente pelas medidas de distanciamento social, que trouxeram desafios para a distribuição do produto e falta de matéria-prima. 

Estudo elaborado pela Trend Micro revela que a tecnologia que já existe hoje – como Inteligência Artificial (IA) e Machine Learning (ML) – pode ajudar a prever situações como a que vivemos nos últimos meses. Mas, além da tecnologia já existente, quais são os caminhos que o setor vai seguir nos próximos anos? Confira abaixo três tendências que devem destacar as empresas do setor em 2022.

 

Marcas com propósito

Sem dúvidas, com todas as incertezas e preocupações que tivemos durante a pandemia, percebe-se que nasceu uma necessidade de busca por esperança quanto a um futuro melhor. Com isso, houve também um grande crescimento de interesse entre os consumidores, principalmente entre a geração Z, pelo engajamento em causas sociais e uma maior preocupação em valorizar isso nas empresas, o que impactou diretamente no consumo. As pessoas estão mais cautelosas em investir, o que aumenta o desafio das empresas em criar um relacionamento verdadeiro e duradouro. 

A Pampili, marca brasileira de calçados e acessórios infantis femininos, tem como propósito tornar o mundo um lugar melhor para ser uma menina. Desde a sua fundação, a empresa tem se posicionado para criar valor por meio de seu portfólio, trabalhando para que os produtos ajudem as meninas de todo o mundo a serem protagonistas de suas histórias. Para a marca, a proximidade com os clientes é a chave de tudo, pois é cada vez mais necessário entregar produtos que tenham um valor agregado. A empresa olha com cuidado para a sua essência, com o objetivo de entregar uma estratégia que faça sentido não para um consumidor, mas para todos. 

 

Compra programada cada vez mais presente

Se antes as compras online de supermercado já eram uma realidade, o processo de digitalização provocado também pela pandemia fez com que esse setor crescesse ainda mais. De acordo com dados da Linx, plataforma de tecnologia para o varejo, o número de pedidos online em supermercados cresceu 817% de março de 2020 a julho de 2021. Só que, em um segmento tão tradicional como esse, é preciso ir muito além da presença no digital. É preciso chegar até a casa do consumidor com diferenciais que proporcionem economia, praticidade, redução de desperdício e baixa taxa de ruptura, palavras cada vez mais de ordem. Quanto a isso, a compra programada, um modelo de recorrência de compras que alia tecnologia e comodidade, tem cumprido bem seu papel, ficando cada vez mais presente no dia a dia de muitas famílias brasileiras. 

Um exemplo dessa tendência de consumo é a shopper.com.br. Eles, que são o maior supermercado 100% online do Brasil e o melhor do país com o modelo de compra programada, chegaram, em dezembro de 2021, à marca de meio milhão de pessoas cadastradas em sua plataforma. Em março de 2020, eram 100 mil, representando um crescimento de 400% em apenas um ano. Além disso, a shopper.com.br chegou ao final de 2021 a 75 municípios de São Paulo, incluindo a capital, e projeta expandir seus serviços para 120 cidades do estado até o final de 2022 e também chegar ao Rio de Janeiro. Até o começo deste ano, a startup estava em 35 municípios paulistas. 

Esses números refletem a forte demanda e interesse do consumidor por esse modo inteligente de fazer compras de itens de consumo doméstico que funciona da seguinte forma: o cliente monta sua cesta, seleciona o dia de entrega e finaliza sua compra. A partir de então, ele recebe as compras periodicamente (mensal, quinzenal ou semanal) em casa; sua lista fica salva no site ou app e uma entrega fica automaticamente pré-agendada para cada mês. O cliente recebe lembretes todos os meses para alterar sua lista antes das próximas entregas (ou até alterar a data de entrega, se precisar antecipar, adiar ou pular uma entrega). 

Além de toda essa praticidade e otimização de tempo, com esse modelo da Shopper, por exemplo, o consumidor economiza, em média, 12% por mês nas compras. Em alguns itens, pode chegar a até 25%. Indo além dessa economia significativa, a compra programada também faz com que o consumidor consiga saber o que está comprando a mais e, assim, fazer uma compra mais consciente e reduzir o desperdício; além disso, faz com que o supermercado evite a “dor” do cliente ficar sem itens em casa, entregando-os antes de terminar na casa deles.

 

Diversidade de canais para pagamentos

A pandemia acelerou a digitalização no varejo. Quem não estava no digital, teve que rapidamente se transformar, não só para atender às novas necessidades de formas de compras dos consumidores, como para fazer frente à concorrência. De acordo com o Relatório de Varejo 2021 da Adyen, empresa global de tecnologia de pagamentos, 90% dos entrevistados afirmaram que não voltam a comprar de marcas se tiverem vivido uma experiência ruim na loja física ou online. No e-commerce, o pagamento é uma etapa importante do processo, por isso é fundamental conhecer a preferência dos clientes para oferecer experiências mais fluidas e gerar fidelização.  

O pix, criado pelo Banco Central, se mostrou uma forma de pagamento bem recebida pelos brasileiros, tanto no varejo físico como online, e a tendência para 2022 é que isso ganhe mais aderência da população. Os varejistas que não incluírem o pix como meio de pagamento poderão perder vendas e clientes.

Ser omnichannel já é irreversível. Vender por diversos canais é uma realidade que chegou para ficar, mas é preciso ir além. Segundo a pesquisa, 71% das pessoas disseram que seriam mais leais a um varejista que lhes permitisse comprar online e fazer devolução na loja. Ou seja, os clientes querem uma experiência de compras ágil e sem barreiras. Isso é possível com a integração entre os ambientes digital e físico. Enquanto o omnichannel oferece diversas possibilidades de jornada de compra (site, app, loja física), o unified commerce (ou comércio unificado) integra os dados gerados nesses canais. Assim, os consumidores têm seus dados centralizados em um único sistema, o que facilita eventuais trocas em loja de produtos adquiridos no e-commerce, e vice-versa. Com a tecnologia, os varejistas também conseguem aceitar pagamentos em diferentes canais, tomar decisões baseadas em dados e conhecer melhor seus clientes para fidelizá-los.

 

Soluções B2B que impactam diretamente o varejo

Estamos vivendo a era da fintechzação. Essa tendência tem se transformado ou se tornado outro braço de atuação de negócios para ofertar serviços financeiros tanto para pessoa física quanto para empresas que encontram dificuldades em conseguir linhas de crédito. De modo geral, as organizações têm muito a ganhar com essa movimentação, uma vez que essa passa ser uma nova forma de diversificar a receita.

Foi para apoiar essa movimentação que nasceu a CashU, plataforma de embedded finance que oferece inteligência de fintech para empoderar empresas B2B que queiram aumentar o acesso ao crédito de PMEs que atuam em diversos segmentos. O modelo de negócio garante mais autonomia e assertividade às grandes empresas nessa gestão, de modo que possam oferecer serviços de concessão de crédito comercial, a soluções de Buy Now, Pay Later, Full Protection e até linhas de capital de giro de longo prazo para financiamento de expansão da sua base de clientes.

“Temos percebido um movimento para que todas as empresas passem por um processo de fintechzação, mas para isso é necessário ir além da inteligência e gestão. Cada negócio guarda suas características e consequentemente tem oportunidades muito específicas e o que nós oferecemos de inovador é uma inteligência de fintech que permite com que qualquer empresa possa ser mais assertiva na hora de oferecer crédito para seus clientes PMEs e assim, criar novas oportunidades de negócio. Empresas como Magazine Luiza, MercadoLivre e Via Varejo, entre outras que atuam no setor varejista já estão oferecendo serviços de fintech, tanto voltadas para outras empresas como também para os consumidores, e tantas outras já estão de olho nessa movimentação como uma oportunidade, o que comprova uma tendência para os próximos anos”, explica Thiago Saldanha, CEO e fundador da CashU.

Texto:

Marcella Pedroso 
Mariana Alves  
Marília Leoni